Como frustrar ou criar vontade em uma máquina?
A tão intrigante pergunta “Can a Machine Think?” do artigo Computing Machinery and Intelligence by A. M. Turing me fez criar este resumo de alguns pensamentos meus, resumi pois meu brainstorming foi de 6 páginas, começando com a resposta e depois finalizando com uma pergunta
A resposta
Partindo de um visão criacionista(e não teológica que limita o significado), penso que uma máquina foi criada para executar tarefas referente a vontade humana e que transferir a vontade de “pensar” para equipamentos eletrônicos é algo a ser estudado mas os resultados é e serão apenas aproximações em relação a mente humana.
Motivação especulativa
Em analogia aos animais, pergunto “Pode um animal pensar?”. Para responder este questionamento não posso comparar o pensamento do animal com o pensamento do ser humano, são espécies diferentes com limitações peculiares a cada anatomia. Podemos responder o questionamento analisando entre um grupo de cem cachorros(A), que o cachorro (B) demonstra a superioridade do ato de pensar em relação aos demais por ser hábil a execução de uma determinada tarefa (T1). Mesmo assim temos que levar em consideração a tarefa executada, pois B em outra tarefa(T2) pode não ter o desempenho superior ao A.
Em um rápido aspecto filosófico teriamos mais uma questão “O cachorro B nasceu com mais poder de pensar em relação aos outros ou ele foi treinado?”, a velha conhecida luta entre os empiristas e os inatistas.
Suponhamos então que o cachorro tem um treinamento behavorista para pegar o jornal todos os dias e latir quatro vezes alertando o dono, e que o código de quatro latidos a mensagem é a chagada do jornal. E se o cachorro executasse a mesma ação todos os dias sem que ninguém(homem ou animal) tivesse sequer servido de modelo para a interpretação da ação pelo canino? Temos que o cão “aprendeu sozinho”, o meio não interferiu para que o cão aprendesse. Algo fala mais forte dentro do canino que o motiva para a execução, a vontade.
Entre broncas, espancamentos, carinhos e comidas, o cão, no mundo dele, começa discernir entre o que é bom e o que é ruim, e de uma forma misteriosa ele sabe do processo de retribuição então o jornal faz com que ele ganhe um afago, uma comida ou algo que ele goste. Uma intensa troca assim como no mundo em que vivemos.
Máquinas sem frustrações
Voltando para a máquina agora e identificamos inicialmente que ela não tem uma pulsão, uma motivação, uma vontade em si própria para aprender e pensar. Podemos dizer que uma máquina em relação a outra máquina pensa mais mas considerando a mesma tarefa no universo delas.
Um equivoco seria a comparação de milhares de anos de conhecimento humano em relação a um equipamento de uns cinqüenta(computador digital) anos de idade.
Não havendo pulsão não há uma forma simbólica de expressar o pensamento[Lacan]. Sempre continuaremos fazendo do computador a representação do mundo real e não contrário. O pensamento da máquina é a submissão do desejo do programador, seria um pensamento falso pois a máquina não racionalizou o que sente mais o que colocaram-na para sentir, criando de uma certa forma desejo paradoxal de G. Bateson. Para pensar precisamos de pulsões, frustrações um objeto a ser alcançado, a negação dos desejos para uma máquina seria apenas o redirecionamento do controle para outro procedimento; já em nós, criamos resíduos psicológicos que no primeiro instante nos fazem sofrer mais depois conseguimos aprendemos.
A pergunta
Partindo da conjectura de “o produto das frustrações e dos desejos o que nos faz aprender” pergunto “Como frustrar ou criar vontade em uma máquina?”